terça-feira, 14 de julho de 2009

2ª Fase da Prova 706 Mais Acessível

A prova de Desenho A da 2ª fase foi mais acessível. O modelo foi menos exuberante embora convocasse as mesmas competências do Grupo I da prova da 1ª fase. A vantagem para aqueles que se candidataram a esta fase surgiu no grupo II: ao propor uma composição desiquilibrada e a recomposição dos elementos, recorrendo à simplificação por acentuação, estava dado o mote para o sucesso educativo, mesmo para aqueles cujo desempenho é mais débil. Continua a verificar-se a limitação das técnicas na resposta a questões implicando interpretação mais livre, não se vislumbrando as vantagens desta opção.
Relativamente ao enunciado verificou-se, nos exemplares a que acedeu, má qualidade da reprodução da pintura de Josefa de Óbidos. Uma nota final quanto ao papel disponibilizado para as respostas: é ingrato para algumas das técnicas propostas. Também de justifica outra composição do cabeçalho, de preferência menos perturbadora.

sábado, 20 de junho de 2009

Exame 706 II


Uma professora atenta fez-nos chegar um reparo relativo a uma contradição prejudicial para os examinandos. Refere-se à questão 2 do grupo I que, na Prova de Desenho A, propõe a execução de “um apontamento a aguarela”. Acontece que nos Critérios Gerais de Correcção (C.G.C.) os descritores valorizam aspectos que não se deveriam considerar – pelo menos nos termos em que são redigidos– na avaliação de um “apontamento”. Devia ser do conhecimento dos autores da prova o conceito de apontamento: “desenho ou pintura executados rapidamente a partir do natural, com poucas linhas ou pinceladas, para conservar a impressão ou detalhe de alguma coisa.” (Gómez Molina, Juan José (coord.), Los Nombres del Dibujo, Madrid, Ediciones Cátedra, 2005). Assim sendo, faz sentido a tónica no registo correcto das “proporções entre as partes” (item 2b) dos C.G.C.) ou o registo “com muito rigor, correcção (...) o volume, o espaço, a profundidade, os valores lumínicos”, etc. (item 2c) dos C.G.C.)?
A persistência no logro mantém-se e agrava-se: na questão seguinte (3, do grupo I da Prova de Desenho A) é pedido “uma representação rápida e expressiva a sanguínea”. Estamos uma vez mais perante um apontamento, desta vez com tónica na expressividade. Mas o facto parece não ter perturbado os autores da prova, pois nos C.G.C.. esparrama-se, uma vez mais, o registo correcto das “proporções entre as partes” (item 3b) dos C.G.C.) e o registo “com muita correcção” (item 3c) dos C.G.C.); será receita? Como se pode pretender um registo rápido e expressivo e simultaneamente pretender rigor, correcção das proporções e uns condimentos mais para armadilhar examinandos?


Exame 706


Nervoso miudinho, algumas mochilas-atelier, materiais esquecidos ou não contemplados “porque não vai sair de certeza” (apesar das repetidas advertências) e uma certa apreensão alimentada pelos desequilíbrios dos exames anteriores. No final da prova vários alunos choravam a escassez de tempo.
Quanto à prova de exame: o tempo aconselhado para cada grupo foi suficiente. O modelo era interessante e apresentou um grau de dificuldade adequado.
Alguns reparos relativamente aos critérios de correcção:
No item 1 a) o descritor assinala como uma das condições para a obtenção do nível máximo a utilização de “diferentes intensidades e espessuras de traço”. Com este critério não teriam o nível máximo alguns dos desenhos dos seguintes artistas plásticos: Almada Negreiros, Matisse, Picasso, David Hockney, e uma plêiade mais que em situações análogas dispensaram as convulsões lineares para tornarem perceptíveis os motivos representados.
Passando para o item 2 a) o descritor refere, no recurso à técnica de aguarela, a pintura “com manchas homogéneas, sem definição de contorno” (e se for o dintorno?). Estaremos no domínio das habilidades circenses? Os autores parecem ter uma visão monocular da aguarela e, uma vez mais, temo pela memória de muitos artistas como Delacroix ou Cézanne que, segundo esta indicação, ver-se-iam relegados para uma classificação menor. Quanto à indefinição de contorno na aguarela, parece haver um certo desconhecimento do conceito. Refere-se ao contorno a lápis (nesse caso, pobre Turner...) antes de aplicar a tinta ou ao contorno gerado pelo contraste da mancha com o fundo? Em que ficamos?
Neste blogue denunciou-se, aquando da publicação das informações de exame, o despropósito em vincular uma técnica específica a questões implicando maior liberdade criativa. Ainda bem que a lacuna foi corrigida no grupo II, apesar de não ter contemplado a técnica mista. Desatenção?
Onde se poderia permitir o exercício pleno da criatividade mantém-se uma toada claustrofóbica do desenho, subordinando-o essencialmente a uma visão academizante que convive mal com as possibilidades criativas. Atente-se ao exemplo da
questão II: o item “criatividade” (10% da cotação da prova!) surge embrulhado e condicionado por uma relação indefinida das “figuras imaginadas com o espaço recriado” (alínea c). Que criatividade poderá haver quando estas deverão apresentar “volumes e proporções com correcção” (alínea b) e “adequadas ao espaço dado” (alínea d)? Portanto, se um dos meninos desenhou o Gulliver de burka já sabe...

Quem ainda não foi consultar os critérios de correcção pode fazê-lo aqui.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Depois do lápis, a burqa azul

Sir Joshua Reynolds (1723-92), Retrato da Sr.ª Stanhope (detalhe)

Numa escola do Pinhal Novo legislou-se sobre os decotes e baínhas das alunas (não se imagina os alunos com umas generosas mini-saias...). Só num país de serôdios costumes, onde o preconceito se gosta de travestir de moralidade, ocorrem estes devaneios. O que está no cerne deste delírio autoritário é a sexualidade: não deveria a escola esclarecer em vez de reprimir?

segunda-feira, 4 de maio de 2009


Vasco Granja (1925-2009)

Fica o adeus ao rosto que nos iluminava os domingos de outrora com um “Olá amiguinhos” e muito cinema de animação. A Vasco Granja se deve a divulgação de autores como Norman McLaren, Tex Avery, Fritz Freleng e outros ilustres desconhecidos, como Jiri Barta, que foram esteio criativo de muitos petizes. Foi o responsável pela promoção e divulgação da Banda Desenhada em Portugal nas décadas de 60 e de 70, com destaque para a revista “Tintim”, de saudosa memória.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

José Miguel Gervásio

"Djin-Djin. Quando roubaram o coração ao Cabeça de Ovo caíu do céu uma chuva dourada". Da série Ararararax. Acrílico sobre tela, 2005


Nos domínios bizantinos das artes plásticas abundam os artistas consagrados pelas circunstâncias do mercado e dos seus agentes. Alguns, poucos, têm na sua obra legitimação maior.
(+)

Le Temps des Cerises


Quand nous chanterons le temps des cerises

Et gai rossignol et merle moqueur

Seront tous en fête

Les belles auront la folie en tête

Et les amoureux du soleil au cœur

Quand nous chanterons le temps des cerises

Sifflera bien mieux le merle moqueur

Mais il est bien court le temps des cerises

Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant

Des pendants d'oreilles...

Cerises d'amour aux robes pareilles

Tombant sous la feuille en gouttes de sang...

Mais il est bien court le temps des cerises

Pendants de corail qu'on cueille en rêvant !

Quand vous en serez au temps des cerises

Si vous avez peur des chagrins d'amour

Évitez les belles !

Moi qui ne craint pas les peines cruelles

Je ne vivrai pas sans souffrir un jour...

Quand vous en serez au temps des cerises

Vous aurez aussi des chagrins d'amour !

J'aimerai toujours le temps des cerises

C'est de ce temps-là que je garde au cœur

Une plaie ouverte !

Et Dame Fortune, en m'étant offerte

Ne saurait jamais calmer ma douleur...

J'aimerai toujours le temps des cerises

Et le souvenir que je garde au coeur !

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cherbourg expõe Hugo Pratt


No âmbito da 5ª bienal da 9ª Arte (Banda-Desenhada) o Museu de arte Thomas-Henry em Cherbourg, França, expõe até 20 de Setembro desenhos e aguarelas de Hugo Pratt sob o título “Périples Secrets”.

Hugo Pratt (1927-1995) foi um viajante e leitor incansável, cidadão do mundo e autor de uma das mais belas obras de B.D. do século XX; a série de aventuras de Corto Maltese.
Desenhador e aguarelista talentoso, Pratt tem uma parte da sua obra acessível aos olhos de todos os aprendizes que, não podendo ir a Cherbourg, sempre podem viajar com o dedo até
aqui.

Encontros da Imagem '09

Guerrilla Girls: os cartazes são só uma parte da acção. Lucidez, criatividade e provocação desde 1985.

De 1 a 31 de Maio tem lugar na cidade de Braga mais uma edição dos Encontros da Imagem. Segundo a organização do evento “o tema eleito para a presente edição, “fronteiras do género”, não pretende revisitar as lutas feministas dos finais dos anos 60, mas reflectir, a partir dessa génese, na multiplicidade de linguagens e representações artísticas da contemporaneidade”. As exposições realizam-se em diversos locais da cidade – Museu da Imagem, Casa dos Crivos, Torre de Menagem, Fonte do Ídolo, Museu D. Diogo de Sousa, etc. – onde se expõem autoras com percursos e experiências diversas que, pelo que sabe este aprendiz, valem bem a pena o olhar, o tempo...e o resto.

sábado, 4 de abril de 2009

DIÁRIOS de VIAGEM


O registo gráfico de viagens não surgiu no século XVIII. No entanto, foi neste período que assistimos à sua difusão entre os diversos viajantes, principalmente ingleses abastados que, munidos de cadernos, desenharam apaixonadamente as visões exóticas e pitorescas da Europa. Neste âmbito, o sketchbook ou cahier de voyage assumiu o papel de notário da memória, de complemento à redacção ou de testemunho gráfico autosuficiente. A prática escolar do desenho, ainda que académico, facultava ao viajantes do Grand Tour a autonomia necessária para complementar as impressões redigidas com as esboçadas, enlaçando o conjunto num género particular que perdura até aos nossos dias.
Neste blogue facultamos nas "Ligações Úteis"o acesso a um dos sítios mais interessantes sobre diários gráficos . Eduardo Salavisa, o seu responsável, surge agora com um livro editado pela Quimera Editores intitulado "Diários de Viagem". É um belo livro, bem estruturado e ilustrado, que propomos a todos os que partilham o gosto pelas viagens (a qualquer território, nem que seja ao fundo da rua) e pelo desenho.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Olhares Sobre o Centro de Braga

O evento tem a designação de “Olhares sobre o centro de Braga”, destina-se a todos os alunos de artes visuais que pretendam explorar e divulgar trabalhos nas áreas da fotografia, desenho, pintura e ilustração.Os aprendizes interessados podem obter mais informações aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Edifícios à prova do lobo mau


Num tempo marcado pela crise e pela degradação ambiental faz todo o sentido pesquisar formas alternativas de construção. Edificar habitações com fardos de palha parece, à primeira vista, desaconselhável. A prática e os praticantes garantem que não é bem assim.

Outro papel para o pavimento


Ocupam parcelas de passeios e de estradas das principais cidades do mundo e resgatam formas e cores à indiferença do cimento calcorreado diariamente pelos transeuntes. São peritos em trompe l’oeil e anamorfoses e dominam magistralmente o giz. São artistas plásticos urbanos que realizam um tipo de pintura efémera que abre clareiras surpreendentes no bulício citadino.

Uma mão amiga fez chegar a este blogue uma janela para alguns dos melhores exemplos desta prática artística não subsidiada.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Concursos II

Porque são vários e à medida das diversas aptidões e preferências, fica a ligação ao sítio da FBAUP aqui . Atenção aos praticantes das modalidades artísticas: os prazos pedem visita sem mais demoras.
Ligação rápida: Artes - Desenho - Geometria Descritiva