O tema dos exames de Desenho daria uma tese. Neles se espelham alguns dos vícios atávicos nacionais – desorganização, ausência de objectivos – e estatais: dirigismo e desconfiança (ou paternalismo de conveniência). Esta última sobre os professores…
Não deveria existir exame de Desenho ou, a realizar-se, deveria incidir sobre o domínio teórico específico das Artes Visuais. Poderia ser articulado com a apresentação e avaliação de um porta-fólio no final do ano. Seria muito mais preciso e justo para os alunos.
Vamos à prova:
1. Pedia-se “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo” e a “exploração criteriosa dos elementos estruturais da linguagem plástica”. Um desenho que preencha estes requisitos implica o dispêndio de, pelo menos, uma hora. Pedia-se um exercício analítico e um registo naturalista.
2. Pretende-se avaliar os procedimentos (técnicas e ensaios/ esboço). Espera-se que, nos descritores, não surja algo como “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo”, como já ocorreu…
3. Passe a quase redundância da “composição dinâmica (…) modelo em três posições diferentes” (mesmo recorrendo aos três-em-linha o resultado será sempre dinâmico) o que há a salientar é, uma vez mais, o dirigismo vicioso do M.E. ao impor estes meios, não permitindo “uma paleta de cores frias” (Viva o 3º ciclo!) com meios actuantes à escolha do aluno: lápis de cor, aguarelas, etc.
Grupo II
Esta questão parte de uma reprodução (bidimensional) de uma obra de Lourdes Castro e requer “representação gráfica, com exploração da capacidade de síntese”.
Começa por se pedir, perdão, propor “um objecto final claramente tridimensional”. Será que é um exame de escultura? Presume-se que o autor pretenda a representação de volumes. Mas, “propondo um objecto”? Não sendo semânticamente errado é indigesto.
A leitura dos dois parágrafos que sucedem o preâmbulo consolida a confusão: “Crie uma nova composição” e “mantenha ou altere o esquema compositivo apresentado”; em que ficamos?
Finalmente (a cereja no topo do bolo), propõe-se a utilização da “linguagem plástica com que mais se identifique e que melhor expresse a sua ideia” desde que numa “técnica mista de tinta-da-china e lápis de cor ou uma técnica mista de grafite e sanguínea”. Com tanta fartura prevê-se indigestão.












