sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mais do mesmo


A estrutura da segunda fase do exame de Desenho A decalca as versões anteriores, inadequações inclusive.
Comecemos pelo modelo proposto, concebido claramente para atrapalhar. O que assume gravidade neste caso particular é o processo de montagem: o encaixe da hélice não é claro – a fotografia do modelo montado colide com a tentativa de reproduzir o mesmo resultado-, induziu alunos em erro e revelou-se pouco funcional, gerando atrasos e tensões dispensáveis.
Continua a insistência nos pastéis de óleo, um absurdo pedagógico sublinhado pela ausência de alternativas, obrigando muitos alunos a escorregar numa técnica que, em muitos casos, “inibe potencialidades” e compromete “modos próprios de expressão e comunicação”(in programa de Desenho A). Deveria ser do conhecimento dos especialistas que concebem estas provas, a articulação e as afinidades que se vão estabelecendo entre os meios e os modos de expressão individuais; o recurso obrigatório a um meio específico, sem outras alternativas, é contraproducente e atira alunos com desempenhos excelentes para níveis muito aquém das suas capacidades.
A formulação da questão do Grupo II não enferma dos mesmos erros da sua congénere da primeira fase. Convoca-se, da sintaxe, os efeitos de cor, o movimento e tempo e, para os mais expeditos, processos de cópia e transferência (permitindo em tempo útil apropriarem-se “dos vários elementos da fotografia": viva o papel vegetal), devidamente untados com simplificações gráficas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Urban Sketchers


Mais uma caçada dos Urban Sketchers , desta feita em Lisboa. O acontecimento, à semelhança de muitos outros organizados em diversos locais do planeta, promove o desenho in loco, contactando e interpretando locais e situações que as diversas geografias oferecem à comunidade de amantes do género. Para quem ainda quiser apanhar a boleia, aceda aqui para mais detalhes  e transporte-se para Lisboa.

Leituras à sombra


Partilha-se um livro que foi um bom companheiro de viagem: Pôr a Casa em Ordem, de Matt Ruff., editado pela Saída de Emergência. A sugestão foi dada de viva voz por António Ferreira, responsável por um programa literário da Rádio Universitária do Minho: Livros com Rum (pode ser escutado em podcast acedendo aqui).
Para os amantes da 9ª arte, já está disponível o 3º volume de “Lance”, de Warren Tufts, um dos autores imprescindíveis da Banda Desenhada. A encomenda pode ser efectuada contactando directamente o editor Manuel Caldas (www.manuelcaldas.com). Fica mais barato...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Exames em Diferido


Visite-se o relatório (aqui) dos exames nacionais de 2010, páginas 29 e 30, referentes ao exame de Desenho A. As páginas 29 e parte da 30 são aquilo que na gíria se designa de “palha”. Na página 30, oferece-se a "cereja": os melhores e os piores parâmetros, sendo o melhor “o domínio e aplicação de princípios e estratégias de composição...”. Nem vale a pena comentar o sucesso deste parâmetro. Basta uma leitura breve do enunciado e dos descritores e cora-se de vergonha...Quanto aos “Parâmetros com pior desempenho”, o destaque recai na “capacidade de síntese: transformação – gráfica e invenção”, “com um valor de cotação média em relação à cotação máxima de 50,5%”. Prosseguindo a leitura, chegamos às “Propostas de intervenção didáctica” ou, num português mais simples, o que deverá ser feito na sala de aula: “Como medidas de superação destas dificuldades, propomos uma prática lectiva mais atenta ao desenvolvimento da criatividade e da imaginação”, e a coisa prossegue nesta toada. O que não é incluido neste relatório paupérrimo é a  reflexão (auto)crítica incidindo nas finalidades e estrutura do exame. Para os senhores relatores, estaremos perante a fórmula ideal, a pedra filosofal da avaliação. Não questionam a xaropada reiterada dos referentes artísticos contemporâneos nas questões que propõem o “desenvolvimento da criatividade e da imaginação”. Não questionam a imposição patética de meios atuantes – como o pastel de óleo – que quase ninguém utiliza - e, mais grave ainda, que não permitem (considerando as limitações do exame: tempo de execução, dimensão do suporte, tensão,...) o almejado esparramar da “criatividade e da imaginação”. Este relatório anorético não questiona o papel do Ministério da Educação na demolição do currículo das Artes Visuais, retirando aos alunos o conhecimento de matérias essenciais, quer por via da amputação, seguida de prótese disfuncional, do programa de História das Artes (que deveria acompanhar todo o ciclo do secundário) quer pela eliminação (em 2005 se a memória não falha) da disciplina de Teoria do Design (que permitia a compreensão e consolidação de saberes, para além da definição de opções no prosseguimento de estudos numa área que está na base de muita da riqueza das nações). Chegamos a 2011 e aos resultados alcançados: uma lástima previsível. As razões deduzem-se, parcialmente, do anteriormente exposto, acrescidas do facto do universo de alunos de artes visuais conter uma mole imensa de estudantes "inertes", com pouca curiosidade artística, (impera o universo gráfico repetitivo dos jogos de vídeo, de mangas de  qualidade inferior e dos concursos patéticos de "estrelas" disto e daquilo), com espírito crítico inexistente no capítulo dos deveres e, principalmente, sem a paixão necessária para prosseguir numa área que exige uma prática intensa e regular. Quanto aos alunos e alunas que não se encaixam nesta categoria (e que existem), uma boa parte terá sido torpedeada pela forma abstrusa do exame, em particular no grupo que apelava à tal “criatividade”. Espera-se - quiçá ingenuamente - que a "criatividade" não faça aparição na 2ª chamada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sobre a trapalhada que habita o n.º 706

A urgência em avaliar o exame de Desenho levou a omitir algumas considerações. Os comentários entretanto recebidos contêm argumentos válidos, realçam-se alguns:
A questão do esquema da colocação do modelo versus fotografia é, efectivamente, geradora de confusão. No entanto, a leitura que prevalece é a do esquema da colocação da peça e, considerando o esquema, chegar-se-ia lá.
Textura do papel: o programa da disciplina refere a diversidade de papéis (de gramagem, textura e cores variadas) e a prática a isso conduz quando há empenho, curiosidade e, já agora, o estímulo dos docentes. Não sendo o melhor, o papel da intendência é bastante aceitável.
Quanto à emigração das zebras para o modelo, as alternativas poderiam ser muitas, mais criativas e convocando outras “habilidades”.
Uma das observações referia a necessidade de formar os vigilantes das provas de Desenho. Sem dúvida que se justificaria alguma sensibilização prévia. É um exame essencialmente prático, com as necessidades daí decorrentes.
Reafirma-se o que tem sido escrito: os exames de Desenho não permitem uma boa avaliação das capacidades dos alunos. O desenho tem uma especificidade própria que deveria ser alvo de melhor avaliação: o princípio da equidade não triunfa formatando de igual modo o que é diferente. Acresce outro efeito pernicioso, que se reflete em várias salas de aula (segundo os testemunhos recolhidos): o 12º ano transforma-se num palco de competição que, tendo como quadro referencial os exames,  transforma as aulas e os trabalhos dos alunos num sucedâneo de um concurso de karaoke pimba.
Podem aceder à prova e aos respectivos critérios de correcção aqui.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Exame 706-1ª chamada


O tema dos exames de Desenho daria uma tese. Neles se espelham alguns dos vícios atávicos nacionais – desorganização, ausência de objectivos – e estatais: dirigismo e desconfiança (ou paternalismo de conveniência). Esta última sobre os professores…
Não deveria existir exame de Desenho ou, a realizar-se, deveria incidir sobre o domínio teórico específico das Artes Visuais. Poderia ser articulado com a apresentação e avaliação de um porta-fólio no final do ano. Seria muito mais preciso e justo para os alunos.
Vamos à prova:
1.       Pedia-se “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo” e a “exploração criteriosa dos elementos estruturais da linguagem plástica”. Um desenho que preencha estes requisitos implica o dispêndio de, pelo menos, uma hora. Pedia-se um exercício analítico e um registo naturalista.
2.       Pretende-se avaliar os procedimentos (técnicas e ensaios/ esboço). Espera-se que, nos descritores, não surja algo como “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo”, como já ocorreu…
3.       Passe a quase redundância da “composição dinâmica (…) modelo em três posições diferentes” (mesmo recorrendo aos três-em-linha o resultado será sempre dinâmico) o que há a salientar é, uma vez mais, o dirigismo vicioso do M.E. ao impor estes meios, não permitindo “uma paleta de cores frias” (Viva o 3º ciclo!) com meios actuantes à escolha do aluno: lápis de cor, aguarelas, etc.
Grupo II
Esta questão parte de uma reprodução (bidimensional) de uma obra de Lourdes Castro e requer “representação gráfica, com exploração da capacidade de síntese”.
Começa por se pedir, perdão, propor “um objecto final claramente tridimensional”. Será que é um exame de escultura? Presume-se que o autor pretenda a representação de volumes. Mas, “propondo um objecto”? Não sendo semânticamente errado é indigesto.
A leitura dos dois parágrafos que sucedem o preâmbulo consolida a confusão: “Crie uma nova composição” e “mantenha ou altere o esquema compositivo apresentado”; em que ficamos?
Finalmente (a cereja no topo do bolo), propõe-se a utilização da “linguagem plástica com que mais se identifique e que melhor expresse a sua ideia” desde que numa “técnica mista de tinta-da-china e lápis de cor ou uma técnica mista de grafite e sanguínea”. Com tanta fartura prevê-se indigestão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Basileia fica na Suiça



Esperam-se mais de 62000 pessoas, cerca de 2500 artistas e a presença de 300 galerias de arte de diversos continentes na Feira de Arte de Basileia, na Suiça. O acontecimento pode ser acompanhado aqui.

Novo Ministro da Educação

«Os bons professores sabem o que se deve fazer e tentam fazê-lo. Se muitas vezes não o fazem mais e melhor, essa limitação não se lhes deve. Deve-se sim às imposições avulsas do Ministério, aos currículos desconexos, aos maus manuais escolares, a um ambiente de desrespeito pela cultura e pela educação.
Os bons professores sabem há muito que o ensino experimental é importante, que não se pode esquecer a motivação dos alunos, que a tabuada e a mecanização das operações são necessárias, que a ortografia não deve ser desleixada e que a compreensão dos bons textos literários é crucial. Os bons professores sabem há muito o que os teóricos da pedagogia romântica querem que eles esqueçam.» Nuno Crato

O actual ministro da educação - Nuno Crato- promete... Será assim, ou será este ministro uma resinosa acha a queimar na pira que é a 5 de Outubro?
A propósito dos problemas que vão queimando a escola pública, assista a este suculento debate, aqui.



segunda-feira, 6 de junho de 2011

CONCURSOS





Para os diversos aficcionados(as) sugere-se este sítio na rede: é um directório dedicado aos concursos e contempla as diversas modalidades, da arquitectura à ilustração. Aqui.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Aprendizes nas Paredes

Casa da Cultura de Paredes. Escola e autarquia promovem as Artes Visuais


O final de ano lectivo coincide, para além da fruta de ocasião, com a época de exposições que, um pouco por todo lado, vão desabrochando após prolongada fermentação curricular.
O caso da escola Secundária de Paredes não será excepção. Esta escola conta com uma equipa de professores de artes dinâmica e com provas dadas. O resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos poderá ser visto na casa da Cultura de Paredes a partir do próximo dia 4  (com a inauguração marcada para as 22 horas). Encerra dia 26 de Junho.

domingo, 15 de maio de 2011

Fachada Escolar


O programa já tem alguns dias e dedicou uma rúbrica à modernização das escolas. Este processo de recuperação e edificação de espaços escolares tem sido gerido pela “Parque Escolar”, uma empresa pública criada pelo governo.
Em causa neste programa está o planeamento e a salvaguarda de aspectos fundamentais, com impacto na vida das escolas e nos seus orçamentos. Vale a pena o visionamento, aqui.

Aprendizes Expõem-se


No teatro da Escola Sá de Miranda expõem-se, até ao dia 20 de Maio, trabalhos dos alunos da turma 12º 09.
A mostra é composta por diversos desenhos, pinturas e esculturas produzidos no âmbito das disciplinas de Artes Visuais: Desenho A e Oficina de Artes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Espreitando a Scopio

Filip Dujardin, sem tíulo (da série Ficcions

SCOPIO é o nome de uma linha editorial ligada à Fotografia de Arquitectura e de Espaços Públicos.  Privilegia a fotografia como instrumento de investigação, reflexão e problematização. A concepção gráfica é elegante e equilibrada.
Sem retirar os méritos desta linha editorial, lamenta-se a inexistência de uma versão em língua portuguesa no seu sítio e, na revista, ser praticamente inexistente. Desatenção ou mais um exemplo, sob o pretexto da globalização, do provincianismo de algumas manifestações culturais?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

S. Assim

Uma data com os dedos dos alunos...
Ligação rápida: Artes - Desenho - Geometria Descritiva