O autor deste blogue nada tem a favor ou contra a APECV, antes pelo contrário...
Serve este preâmbulo para introduzir a estupefacção perante o parecer deste grupo relativamente à disciplina de Desenho no âmbito da proposta de reforma curricular pretendida pelo ME (aqui).
Esta associação sugere a redução dos tempos lectivos atribuidos à disciplina de Desenho, propondo a transferência da carga lectiva que lhe é atríbuida para Oficina de Artes. Esta opção denota um preconceito confrangedor relativamente ao lugar ocupado pelo desenho em qualquer actividade criativa, não necessariamente artística. Será de todo desnecessário relembrar o que é o desenho e o seu papel estruturante no âmbito da formação dos alunos dos cursos de artes visuais. Se o ME ou a APECV ou outra associação o ignora, fica mais uma pulsão seródia na já triste história do ensino em 'tugal.
Continua a haver uma indefinição sobre o que deverá ser a oferta da formação artística, qual o seu papel, propósito e desenvolvimento, do 1º ciclo ao secundário. Se a proposta da APECV encerra algumas sugestões positivas, como a valorização do ensino da História da Arte, lamenta-se não contemplar a extinta Teoria do Design ou a já referida sugestão de subalternização do desenho. Não deveria questionar o peso de outras disciplinas neste estádio da formação? Não deveria pugnar por um reforço da oferta da formação específica?
Não pretendendo assumir o papel de Cassandra, teme-se o triunfo das soluções contabilísticas de mercearia e mais uma machadada na já triste e depauperada formação artística.
P.S. Seria curioso saber quantos são os professores que desenham em contexto de sala de aula que partilham a visão da APECV...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
Shaun Tan
Shaun Tan é um ilustrador australiano com créditos reconhecidos globalmente. A sua obra tem uma singularidade cativante que convida à voracidade do olhar. Em Portugal tem diversos livros publicados: Árvore Vermelha, Emigrantes, Contos dos Subúrbios. Para quem desejar inspirar-se, fica o lembrete e a respectiva ligação, aqui.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Só para os associados?
O sítio da APECV (Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual) divulga a seguinte iniciativa, que se reproduz (aqui):
"No dia 14 de Janeiro às 14h30 vamos debater a proposta do MEC de revisão curricular na sede da APECV – Rua do Heroísmo, 354 Porto. Contamos com a presença dos associados. As vossas opiniões são essenciais. Os interessados devem enviar email para geral@apecv.pt Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, é necessário activar o Javascript par o poder ver. a confirmar presença."
Arrisca-se a opinar uma maior abertura desta Associação, porventura convidando todos os interessados, e não só os associados...
"No dia 14 de Janeiro às 14h30 vamos debater a proposta do MEC de revisão curricular na sede da APECV – Rua do Heroísmo, 354 Porto. Contamos com a presença dos associados. As vossas opiniões são essenciais. Os interessados devem enviar email para geral@apecv.pt Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, é necessário activar o Javascript par o poder ver. a confirmar presença."
Arrisca-se a opinar uma maior abertura desta Associação, porventura convidando todos os interessados, e não só os associados...
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sobre a Reforma
Nos últimos anos temos assistido à demolição do que resta da formação artística, graças à biodiversidade ministerial e fazendo eco da indiferença do pacóvio indígena. Vamos ser honestos, o “tuga” só reconhece o valor das artes como adorno social ou panaceia para a gastrite existencial; a arte é uma sarna à qual é suposto aderir convenientemente e sem compromisso. Os poderes instituidos mais não fazem que replicar esta realidade que, no tempo presente, parece desembocar na prioridade em saber escrevinhar e contar salazarenta. Quanto ao ensino artístico...
Não temos tido massa crítica capaz de impor um travão à amputação que se tem vindo a afirmar. As agremiações de professores de Educação Visual, de artistas, de designers, arquitectos (etc.), têm-se recolhido na sua insignificância, mesquinhez corporativa ou simples inoperância, validando a situação presente. Mais do que estas, a maior parte dos “s’tores” não está para se chatear e reza em surdina para não ser atingido por estes desmandos, até ser tarde demais.
Quanto aos alunos que almejam uma formação artística decente, resta-lhes a sorte, a pobre sorte de, aqui ou ali, encontrarem professores que remendem o imenso buraco para onde são despejados.
A revisão na calha não deixará de espelhar uma sociedade civil predominantemente apática, parola e mal formada, que considera a educação artística uma coisa engraçada, sem lhe reconhecer o seu efectivo valor na formação dos indivíduos e ignorando o papel que a criatividade e a imaginação tem no progresso material das nações.
sábado, 17 de dezembro de 2011
B.D. para o sapatinho
Em Portugal, só um caso de amor poderia levar um editor (Devir) a publicar um livro de B.D. de 592 páginas por um preço de 35 euros. O caso não é para menos, “Blankets”(2003), de Craig Thompson, é uma novela gráfica de singular beleza e uma síntese feliz entre desenho e texto. A narrativa aborda o primeiro amor, as suas modulações e trajecto, com uma autenticidade tocante. É certamente uma das grandes edições de 2011.
P.S.: “Habibi” é o título mais recente de Craig Thompson. Para quando a publicação nacional?
Publicado originalmente em 1930, “Ele Foi Mau Para Ela”, de Milt Gross, é um drama tingido de humor, “o grande romance americano, e sem uma só palavra”. Publicado por Manuel Caldas, editor exigente ao qual se devem, entre outras, as magníficas edições de “O Cavaleiro Andante”, “Hagar” ou de “Lance”. “Ele Foi Mau Para Ela” merece bem o dispêndio.
Tropecei, dias atrás, num pequeno livro de B.D. de um jovem autor: Rui Lacas. Chama-se “A Eremida” (Ed. Polvo) e habita a estante dos autores promissores.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
706
A terminar o ano ficam as informações referentes ao exame de Desenho A aqui. O GAVE propõe agora a redução de três questões para duas no Grupo I. É uma decisão que parece acertada; a pressão a que se sujeitava os alunos não tinha fundamento nem apresentava qualquer tipo de vantagem. A opção pelo novo tipo de modelo parece interessante e permitirá, se os descritores não inquinarem as questões, outros desenvolvimentos.
Em relação ao grupo II, manter-se-á a tradição de convocar obras de autores nacionais, na maior parte dos casos estranhos aos alunos, despojados que foram da formação que lhes era facultada até ao virar do século.
Constata-se, uma vez mais, o amor incondicional dos responsáveis pelos exames de Desenho A ao pastel de óleo (porque não lápis de cera?). As razões seriam certamente interessantes, se as conhecessemos ou se vislumbrassemos alguma vantagem nesta estranha e untuosa obsessão. Viva o pastel da 5 de Outubro.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Kali Ciesemier
É uma ilustradora singrando no mares da produção remunerada e do reconhecimento (merecido), chama-se Kali Ciesemier e tem obra aqui.
O Cinanima começou no dia 7 e termina, como manda a tradição, no domingo, dia 13.
Tem sido constante, ao longo dos 35 anos deste festival, a divulgação do cinema de animação e dos seus autores. A diversidade dos processos e dos materiais, o carácter muitas das vezes experimental e a pluralidade das narrativas, constituem motivos mais que suficientes para uma visita e perceber por que razão este é um dos festivais mais aclamados do seu género.
Para mais informação, aqui.
domingo, 2 de outubro de 2011
Encontros da Imagem 2011
Kameraphoto, Stephane C., André Principe (com um título pomposo em "americano" que não inquinou o visionamento...), Virgílio Ferreira, são alguns dos autores ao alcance do olhar curioso no burgo bracarense. Até 30 de Outubro.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Mais do mesmo
A estrutura da segunda fase do exame de Desenho A decalca as versões anteriores, inadequações inclusive.
Comecemos pelo modelo proposto, concebido claramente para atrapalhar. O que assume gravidade neste caso particular é o processo de montagem: o encaixe da hélice não é claro – a fotografia do modelo montado colide com a tentativa de reproduzir o mesmo resultado-, induziu alunos em erro e revelou-se pouco funcional, gerando atrasos e tensões dispensáveis.
Continua a insistência nos pastéis de óleo, um absurdo pedagógico sublinhado pela ausência de alternativas, obrigando muitos alunos a escorregar numa técnica que, em muitos casos, “inibe potencialidades” e compromete “modos próprios de expressão e comunicação”(in programa de Desenho A). Deveria ser do conhecimento dos especialistas que concebem estas provas, a articulação e as afinidades que se vão estabelecendo entre os meios e os modos de expressão individuais; o recurso obrigatório a um meio específico, sem outras alternativas, é contraproducente e atira alunos com desempenhos excelentes para níveis muito aquém das suas capacidades.
A formulação da questão do Grupo II não enferma dos mesmos erros da sua congénere da primeira fase. Convoca-se, da sintaxe, os efeitos de cor, o movimento e tempo e, para os mais expeditos, processos de cópia e transferência (permitindo em tempo útil apropriarem-se “dos vários elementos da fotografia": viva o papel vegetal), devidamente untados com simplificações gráficas.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Urban Sketchers
Mais uma caçada dos Urban Sketchers , desta feita em Lisboa. O acontecimento, à semelhança de muitos outros organizados em diversos locais do planeta, promove o desenho in loco, contactando e interpretando locais e situações que as diversas geografias oferecem à comunidade de amantes do género. Para quem ainda quiser apanhar a boleia, aceda aqui para mais detalhes e transporte-se para Lisboa.
Leituras à sombra
Partilha-se um livro que foi um bom companheiro de viagem: Pôr a Casa em Ordem, de Matt Ruff., editado pela Saída de Emergência. A sugestão foi dada de viva voz por António Ferreira, responsável por um programa literário da Rádio Universitária do Minho: Livros com Rum (pode ser escutado em podcast acedendo aqui).
Para os amantes da 9ª arte, já está disponível o 3º volume de “Lance”, de Warren Tufts, um dos autores imprescindíveis da Banda Desenhada. A encomenda pode ser efectuada contactando directamente o editor Manuel Caldas (www.manuelcaldas.com). Fica mais barato...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Exames em Diferido
Visite-se o relatório (aqui) dos exames nacionais de 2010, páginas 29 e 30, referentes ao exame de Desenho A. As páginas 29 e parte da 30 são aquilo que na gíria se designa de “palha”. Na página 30, oferece-se a "cereja": os melhores e os piores parâmetros, sendo o melhor “o domínio e aplicação de princípios e estratégias de composição...”. Nem vale a pena comentar o sucesso deste parâmetro. Basta uma leitura breve do enunciado e dos descritores e cora-se de vergonha...Quanto aos “Parâmetros com pior desempenho”, o destaque recai na “capacidade de síntese: transformação – gráfica e invenção”, “com um valor de cotação média em relação à cotação máxima de 50,5%”. Prosseguindo a leitura, chegamos às “Propostas de intervenção didáctica” ou, num português mais simples, o que deverá ser feito na sala de aula: “Como medidas de superação destas dificuldades, propomos uma prática lectiva mais atenta ao desenvolvimento da criatividade e da imaginação”, e a coisa prossegue nesta toada. O que não é incluido neste relatório paupérrimo é a reflexão (auto)crítica incidindo nas finalidades e estrutura do exame. Para os senhores relatores, estaremos perante a fórmula ideal, a pedra filosofal da avaliação. Não questionam a xaropada reiterada dos referentes artísticos contemporâneos nas questões que propõem o “desenvolvimento da criatividade e da imaginação”. Não questionam a imposição patética de meios atuantes – como o pastel de óleo – que quase ninguém utiliza - e, mais grave ainda, que não permitem (considerando as limitações do exame: tempo de execução, dimensão do suporte, tensão,...) o almejado esparramar da “criatividade e da imaginação”. Este relatório anorético não questiona o papel do Ministério da Educação na demolição do currículo das Artes Visuais, retirando aos alunos o conhecimento de matérias essenciais, quer por via da amputação, seguida de prótese disfuncional, do programa de História das Artes (que deveria acompanhar todo o ciclo do secundário) quer pela eliminação (em 2005 se a memória não falha) da disciplina de Teoria do Design (que permitia a compreensão e consolidação de saberes, para além da definição de opções no prosseguimento de estudos numa área que está na base de muita da riqueza das nações). Chegamos a 2011 e aos resultados alcançados: uma lástima previsível. As razões deduzem-se, parcialmente, do anteriormente exposto, acrescidas do facto do universo de alunos de artes visuais conter uma mole imensa de estudantes "inertes", com pouca curiosidade artística, (impera o universo gráfico repetitivo dos jogos de vídeo, de mangas de qualidade inferior e dos concursos patéticos de "estrelas" disto e daquilo), com espírito crítico inexistente no capítulo dos deveres e, principalmente, sem a paixão necessária para prosseguir numa área que exige uma prática intensa e regular. Quanto aos alunos e alunas que não se encaixam nesta categoria (e que existem), uma boa parte terá sido torpedeada pela forma abstrusa do exame, em particular no grupo que apelava à tal “criatividade”. Espera-se - quiçá ingenuamente - que a "criatividade" não faça aparição na 2ª chamada.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Sobre a trapalhada que habita o n.º 706
A urgência em avaliar o exame de Desenho levou a omitir algumas considerações. Os comentários entretanto recebidos contêm argumentos válidos, realçam-se alguns:
A questão do esquema da colocação do modelo versus fotografia é, efectivamente, geradora de confusão. No entanto, a leitura que prevalece é a do esquema da colocação da peça e, considerando o esquema, chegar-se-ia lá.
Textura do papel: o programa da disciplina refere a diversidade de papéis (de gramagem, textura e cores variadas) e a prática a isso conduz quando há empenho, curiosidade e, já agora, o estímulo dos docentes. Não sendo o melhor, o papel da intendência é bastante aceitável.
Quanto à emigração das zebras para o modelo, as alternativas poderiam ser muitas, mais criativas e convocando outras “habilidades”.
Uma das observações referia a necessidade de formar os vigilantes das provas de Desenho. Sem dúvida que se justificaria alguma sensibilização prévia. É um exame essencialmente prático, com as necessidades daí decorrentes.
Reafirma-se o que tem sido escrito: os exames de Desenho não permitem uma boa avaliação das capacidades dos alunos. O desenho tem uma especificidade própria que deveria ser alvo de melhor avaliação: o princípio da equidade não triunfa formatando de igual modo o que é diferente. Acresce outro efeito pernicioso, que se reflete em várias salas de aula (segundo os testemunhos recolhidos): o 12º ano transforma-se num palco de competição que, tendo como quadro referencial os exames, transforma as aulas e os trabalhos dos alunos num sucedâneo de um concurso de karaoke pimba.
Podem aceder à prova e aos respectivos critérios de correcção aqui.quarta-feira, 22 de junho de 2011
Exame 706-1ª chamada
O tema dos exames de Desenho daria uma tese. Neles se espelham alguns dos vícios atávicos nacionais – desorganização, ausência de objectivos – e estatais: dirigismo e desconfiança (ou paternalismo de conveniência). Esta última sobre os professores…
Não deveria existir exame de Desenho ou, a realizar-se, deveria incidir sobre o domínio teórico específico das Artes Visuais. Poderia ser articulado com a apresentação e avaliação de um porta-fólio no final do ano. Seria muito mais preciso e justo para os alunos.
Vamos à prova:
1. Pedia-se “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo” e a “exploração criteriosa dos elementos estruturais da linguagem plástica”. Um desenho que preencha estes requisitos implica o dispêndio de, pelo menos, uma hora. Pedia-se um exercício analítico e um registo naturalista.
2. Pretende-se avaliar os procedimentos (técnicas e ensaios/ esboço). Espera-se que, nos descritores, não surja algo como “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo”, como já ocorreu…
3. Passe a quase redundância da “composição dinâmica (…) modelo em três posições diferentes” (mesmo recorrendo aos três-em-linha o resultado será sempre dinâmico) o que há a salientar é, uma vez mais, o dirigismo vicioso do M.E. ao impor estes meios, não permitindo “uma paleta de cores frias” (Viva o 3º ciclo!) com meios actuantes à escolha do aluno: lápis de cor, aguarelas, etc.
Grupo II
Esta questão parte de uma reprodução (bidimensional) de uma obra de Lourdes Castro e requer “representação gráfica, com exploração da capacidade de síntese”.
Começa por se pedir, perdão, propor “um objecto final claramente tridimensional”. Será que é um exame de escultura? Presume-se que o autor pretenda a representação de volumes. Mas, “propondo um objecto”? Não sendo semânticamente errado é indigesto.
A leitura dos dois parágrafos que sucedem o preâmbulo consolida a confusão: “Crie uma nova composição” e “mantenha ou altere o esquema compositivo apresentado”; em que ficamos?
Finalmente (a cereja no topo do bolo), propõe-se a utilização da “linguagem plástica com que mais se identifique e que melhor expresse a sua ideia” desde que numa “técnica mista de tinta-da-china e lápis de cor ou uma técnica mista de grafite e sanguínea”. Com tanta fartura prevê-se indigestão.
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