quarta-feira, 22 de junho de 2011

Exame 706-1ª chamada


O tema dos exames de Desenho daria uma tese. Neles se espelham alguns dos vícios atávicos nacionais – desorganização, ausência de objectivos – e estatais: dirigismo e desconfiança (ou paternalismo de conveniência). Esta última sobre os professores…
Não deveria existir exame de Desenho ou, a realizar-se, deveria incidir sobre o domínio teórico específico das Artes Visuais. Poderia ser articulado com a apresentação e avaliação de um porta-fólio no final do ano. Seria muito mais preciso e justo para os alunos.
Vamos à prova:
1.       Pedia-se “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo” e a “exploração criteriosa dos elementos estruturais da linguagem plástica”. Um desenho que preencha estes requisitos implica o dispêndio de, pelo menos, uma hora. Pedia-se um exercício analítico e um registo naturalista.
2.       Pretende-se avaliar os procedimentos (técnicas e ensaios/ esboço). Espera-se que, nos descritores, não surja algo como “observância da forma geral e das proporções entre as partes do modelo”, como já ocorreu…
3.       Passe a quase redundância da “composição dinâmica (…) modelo em três posições diferentes” (mesmo recorrendo aos três-em-linha o resultado será sempre dinâmico) o que há a salientar é, uma vez mais, o dirigismo vicioso do M.E. ao impor estes meios, não permitindo “uma paleta de cores frias” (Viva o 3º ciclo!) com meios actuantes à escolha do aluno: lápis de cor, aguarelas, etc.
Grupo II
Esta questão parte de uma reprodução (bidimensional) de uma obra de Lourdes Castro e requer “representação gráfica, com exploração da capacidade de síntese”.
Começa por se pedir, perdão, propor “um objecto final claramente tridimensional”. Será que é um exame de escultura? Presume-se que o autor pretenda a representação de volumes. Mas, “propondo um objecto”? Não sendo semânticamente errado é indigesto.
A leitura dos dois parágrafos que sucedem o preâmbulo consolida a confusão: “Crie uma nova composição” e “mantenha ou altere o esquema compositivo apresentado”; em que ficamos?
Finalmente (a cereja no topo do bolo), propõe-se a utilização da “linguagem plástica com que mais se identifique e que melhor expresse a sua ideia” desde que numa “técnica mista de tinta-da-china e lápis de cor ou uma técnica mista de grafite e sanguínea”. Com tanta fartura prevê-se indigestão.

20 comentários:

JoanaBessa disse...

Olá Neno, já tens acesso aos critérios, ainda não consegui vê-los no Gave! Acho que a indigestão vai ser mesmo das grandes, em primeiro lugar pelo modelito, ou melhor, pela sua montagem , pois para muitos foi uma dor de cabeça... O pior é a montagem errada vai condicionar o exercício dois certamente.
Quanto ao último grupo concordo plenamente contigo, as questões linguísticas não são muito claras e vão certamente conduzir a más interpretações do que era pedido!

Ruben Dias disse...

Olá!
Fiz este exame!
É verdade que a nível de linguística, deixava a desejar. Eu pensei que os meus problemas de compreensão tivessem origem no facto de nunca ter frequentado o curso de artes na escola secundária, mas afinal não sou o único a ter problemas com aquela forma tão ambégua de escrita.
E a textura do objecto! Aquelas riscas faziam-me trocar os olhos quando tentava conta-las!

Anónimo disse...

Boa noite, venho ainda realçar que as folhas para resolução de exame têm uma textura desadequada para trabalhar com grafite - pelo menos, rápido e bem (como nos exigem sempre). O desrespeito pelos alunos estende-se à má formação dos professores que vigiam a prova em relação ao carácter específico deste exame (experiência própria), bem como a disponibilização dos critérios de correcção tardia. É certo que é impossível alienarmo-nos da subjectividade, no entanto, nota-se que não deram o seu melhor a minimizá-la! 3 horas para mostrar o que valemos são um insulto para todos os estudantes; aí, o desempenho é tão subjectivo quanto os enunciados destes senhores. Está na hora de rever esses métodos de avaliação e as competências de quem os executa...

Anónimo disse...

Ontem fiz este exame. A primeira meia hora gastei a ver como colocar o modelo pois, na minha turma um pouco de confusão pois na figura 1 apresentava como se montava e na figura 2 aparecia a vista de cima do modelo. Muitos da minha turma colocaram de forma errada e por medo demorei meia hora até ter a certeza do que fazia.
O grupo dois foi complicado também de perceber realmente o pretendido. Demorei um quarto de hora a tentar perceber realmente o que queriam se era uma proposta inteiramente tridimensional. O que eu percebi na altura é que só queriam um objecto que fosse tridimensional e foi o que fiz, mas ficou-me essa dúvida presente.
O modelo colocado incorrectamente pode arruinar o grupo I inteiramente, como é que o professor corrector reage a essa situação?

Anónimo disse...

Ontem fiz este exame. A primeira meia hora gastei a ver como colocar o modelo pois, na minha turma um pouco de confusão. Na figura 1 apresentava como se montava e na figura 2 aparecia a vista de cima do modelo. Muitos da minha turma colocaram de forma errada e por medo demorei meia hora até ter a certeza do que fazia.
O grupo dois foi complicado anível do português. Demorei um quarto de hora a tentar perceber realmente o que queriam se era uma proposta inteiramente tridimensional. O que eu percebi na altura é que só queriam um objecto que fosse tridimensional e foi o que fiz, mas ficou-me essa dúvida presente.
O modelo colocado incorrectamente pode arruinar o grupo I inteiramente, como é que o professor corrector reage a essa situação?

Anónimo disse...

Sou professora de desenho, também li a prova, e concordo com várias opiniões, a última questão está formulada de forma muito incompetente.Há questões estranhas: observe a imagem tendo em conta.../... "a definição " , pergunto , definição de quê?
Há erro também quando pedem um objecto CLARAMENTE tridimensional (no plano bidimensional o que podemos apenas é sugerir a tridimensionalidade!!!)
E sobre a palavra composição entra-se numa espiral de contradições:

-crie uma nova composição.../...
mantenha ou altere o esquema compositivo.../...crie uma proposta...formalmente dinâmica .
Sobre isto tenho a dizer : no trabalho de Lourdes Castro os elementos organizam-se práticamente todos segundo linhas verticais e horizontais , de que resulta uma composição, equilibrada, estática.Se os alunos mantivessem o mesmo esquema dificilmente conseguiriam uma composição dinâmica; mas essa sugestão é feita(mantenha ou altere o esquema compositivo!), conclusão, este exercício não tem o mínimo de qualidade para ser apresentado num exame de desenho (nem em parte nenhuma!)
Margarida Moreira

Diana disse...

Olá, também fiz este exame e em todos os alunos da minha turma levantou-se a questão se devíamos representar as riscas que se tornavam visíveis no lado branco, pois com a luz que incidia no modelo era possivel a sua visualização. E um dos critérios é a exploração dos valores lumínicos e exploração do padrão do modelo. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão...

Margarida Moreira disse...

Diana:no desenho analítico devemos tentar desenhar o mais parecido possível com o que vemos, portanto no caso que aponta deveria aparecer uma sugestão das riscas.É a minha opinião.

Filipa disse...

"3. Passe a quase redundância da “composição dinâmica (...) com meios actuantes à escolha do aluno: lápis de cor, aguarelas, etc."

Isso já era muito bom, mas o exercício pedia como meios actuantes pasteis de oleo... Desenhar 3 modelos complicadissimos com pastel de oleo numa folha a3 é de loucos!!

Alias o exame todo é loucos! Complicado, incoerente, trabalhoso e como resultado demoroso...
De todos os exames dos anos anteriores, na minha opiniao, o mais difícil foi o da 2a fase de 2010. E mesmo assim este foi o 3x mais complicado...

Concordo plenamente com a apresentação do portefólio, era muito mais justo...

Anónimo disse...

Olá, também fiz este exame e não posso deixar de concordar com tudo o que foi dito (tanto no post como nos comentários).
A duvida da "Diana" também me surgiu;
Quanto ao exercício 3 do grupo I, não achei que fosse complicado, embora exigisse muito mais tempo que o aconselhado, o que o tornou num contratempo.
Este pequeno contratempo impediu que realizasse o grupo II, mas admito que mesmo que tivesse tido tempo para o fazer não o iria realizar, visto que mesmo depois de já ter lido o exercício mais de 20 vezes continuo sem perceber o que era suposto fazermos.

E isto nem é nada... O pior é a forma como são corrigidos, que independentemente dos critérios de correcção minuciosos, o "gosto" do professor que corrige acaba inevitavelmente sempre por influenciar a nota. Já vi, por exemplo, colegas meus, que realizaram este exame em anos anteriores, a subir de um 12 para um 17\18, ou pior, a descer de um 19 para uma nota negativa...

Margarida Moreira disse...

Um aluno pode sempre pedir a revisão da nota.

O professor que corrige as provas deveria abster-se de julgar os trabalhos segundo as suas opções estéticas, e pode fazê-lo se quiser pois a arte também deve e pode ter o seu rigor não subjectivo.

Anónimo disse...

Olá :P
eu também fiz este exame e acho vergonhoso que ao fim de tres anos de trabalho, chegue um exame que os arruine (é mesmo esta a palavra).
Este exame é ingrato e injusto para os alunos, é praticamente impossível em tres horas, fazerem-se exercícios como os que pediam.
Para já o objecto era horrível, foi mesmo feito para entortar os olhos. (e era para desenhar rigorosamente em pouco mais de meia hora!) Isto prejudicou ainda mais o 3º exercicio, porque um padrao de linhas a pastel a oleo... as pessoas que utilizam o material, sabem bem que é dificil...
nesse exercício, pelo que percebi (so depois de ter lido os criterios), seria so para fazer um estudo a pastel a oleo, ou seja nao era para fazer uma representaçao toda XPTO. Mas isso nao estava lá bem explicado.
E o numero 4 nem se fala, porque esse entao, para alem de um enunciado enorme e confuso, pedia umas tecnicas que demoravam muito ( e lapis de cor e tinta da china? Nao sei se essa tecnica funciona muito bem...)

Enfim, é o sistema , não lhe podemos fugir, por muito injusto que seja.

Miaka Sukunami disse...

Sem dúvida alguma concordo plenamente com o que aqui foi dito acerca do exame de Desenho A.
1º ponto: O modelo apresentado este ano para desenhar era uma m****, demorei cerca de 20 minutos para o montar e colocar da forma que eles queriam.
2º ponto: O papel fornecido não prestava, era demasiadamente rugoso para as técnicas de desenho e pintura que nos pediam para ser usadas.
3º ponto: Novamente o problema do tempo. Dizem que deveríamos demorar um X tempo em cada exercício, mas... onde estava o relógio???
4º ponto: A nível de linguística deixava muito a desejar devido ao seu leque de frases contraditórias e textos enormes que só serviram para confundir as pessoas.
5º Não havia quem nos conseguisse explicar de uma forma mais clara os exercícios do exame... incrível como existe tantos incompetentes -.-
6º ponto: No meu ponto de vista os critérios de avaliação não deveriam ser tão rigorosos, ou então deviam ter mais especificidades visto que a arte é uma coisa tão vasta. Ou seja, independentemente de haver ou não critérios de avaliação o gosto do professor que corrigir os exames vais estar sempre presente o que prejudica obviamente a nota do exame.
7º Haveriam certamente mais coisas a salientar e criticar, mas fico por aqui.

Anónimo disse...

boas, eu tambem fiz o exame de desenho A, e sinceramente, não só critico o facto do exame ser do mais absurdo, como o facto de eu em 3 anos de secundário nunca dei na aula de desenho materiais como tinta-da-china, sanguinea e raramente pastel de oleo...

visto que sairam 3 exercicios que nunca "pratiquei", é ridiculo... tinta-da-china com expressao e rápido?, nao sei mesmo o que é pedido, apesar de simples as palavras, o acto é muito diversificado, e eu, que por culpa da escola, ou do ministerio, sei lá eu, nao soube reproduzi-lo bem...

(RIDICULO)

Anónimo disse...

Tenho média de 18 dos três anos de Desenho A, tive dois dos professores de Desenho mais exigentes que aquela escola viu em anos e fiquei com 14 depois do exame. Acho que isto explica o resto.

Anónimo disse...

Concordo com muito do que tem sido dito por aqui embora não concorde que a solução passe pela apresentação de um portfolio elaborado ao longo do ano. Seria mais justo para os alunos talvez, mas não o seria para alunos externos que precisam de fazer o exame por uma qualquer razão.
No meu caso a transferência de curso obriga-me a fazer o exame de desenho no fim da fase de exames da universidade e como é obvio não tenho tempo para elaborar um portfolio.
(Além de estudar no ensino superior, trabalho aos fins de semana e ha muita gente que ainda faz mais que isso e menos tempo tem.)
A entrega de um portfolio reduziria as possibilidades de conclusão da disciplina para alunos externos e para os que tenham anulado a disciplina. A unica hipotese para estes individuos seria a elaboração do portfólio ao longo do ano, tarefa que necessitaría de orientação regular sobre os temas/técnicas a reproduzir ou que os diversos aspectos da avaliação fossem descriminados no inicío do ano ou pelo menos com tempo suficiente para a elaboração do portfólio.

Penso que a solução passa simplesmente por ter pessoal dedicado, competente e que trabalhe/ensine na area das Artes plásticas a elaborar as provas.

Aparentemente quem os faz agora tem danos cerebrais devido a ingestão de gelados com a parte frontal superior do crânio.

(Peço desculpa pela falta de alguma pontuação mas não peço desculpa pelo desrespeito demonstrado para com o acordo ortográfico)

João Marques disse...

Olá Bom dia! Li a sua crítica e concordo a 100%! Quando estava sentado no dia do exame, simplesmente soltei uma gargalhada!Saí revoltado da sala, não consegui mostrar metade do que sou capaz de fazer e não concluí o último exercício por falta de tempo!E é assim, dei um pulinho de um 18 para um 13! Nada de mais, afinal, com tanto critério e observação "geral" da forma, juntando à fantástica correcção da prova, nem correu assim tão mal!Hoje é a segunda fase, resta rezar para que não se lembrem de pedir um objecto "claramente sonoro"!

martadaniella e joão teixeira disse...

o exame de hoje foi claramente de bradar aos céus não acham? -.-

martadaniella e joão teixeira disse...

esta segunda fase foi de bradar aos céus, o ultimo exercicio estava uma confusão no portugues, não acham?

martadaniella

anónima disse...

Alguém me pode dar a resolução do exame nacional de desenho, para melhor compreensão?

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