segunda-feira, 25 de março de 2013
Antes qu'esqueça
As informações referentes ao exame de desenho A deste ano já foram disponibilizadas pelo GAVE e podem ser obtidas aqui. Quanto às expectativas, e pelo que tem escorrido da 5 de Outubro, suspeita-se mais da mesma banalidade. A disciplina de Desenho A merecia melhor, a começar pela substituição dos exames por portfólios, um sistema mais justo e certamente mais responsabilizador.
terça-feira, 19 de março de 2013
Coizenando
O carácter meditativo e relaxado, atestado eletroencefalograficamente com ondas
alfa, dos zentangles, não vem com contraindicações e pode até ser mote para
algum mestrado entre os muitos que por aí vão bolonhando.
A coisa já tem uns tempinhos
e designa-se zentangle e tem o seu
interesse e aplicação como, por exemplo, nas aulas destinadas a alunos dos 7
aos 77 anos em que se procura promover criatividade ou alguma espécie de trip benigna geradora de mais-valias na
autoestima.
Os zentangles são uns sucedâneos de automatismos surrealistas e do rabiscar
(doodling) libertário que ocorre quando,
despertados pelo fim de uma aula ou reunião entediante, somos confrontados com
uns gatafunhos cheios de vitalidade e de combinações inesperadas. Mas atenção,
parece que há um método para a coisa, como indicam os seus criadores Rick e Maria Thomas e
outros discípulos da coisa aqui e ali.
sábado, 9 de março de 2013
Parabéns à Árvore
É uma bela idade para esta instituição artística do Porto. À sua sombra se promoveram, formaram e divulgaram muitos(as) artistas e amadores destas coisas das artes plásticas. A cidade não seria a mesma sem esta cooperativa plantada na vertente junto ao passeio das Virtudes. Parabéns.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Aurea Mediocritas 3.0
Goya, O Sono da Razão Produz Monstros, desenho preparatório, 1797
O termo STEM1 teacher, muito em voga nos EUA e no
Reino Unido, é revelador de uma tendência que, independentemente da cor
política – nos Estados Unidos ela coincide com os democratas – tem encontrado
eco em diversas paragens, como Portugal.
O pretexto da crise – uma crise do sistema financeiro, recorde-se – veio
catapultar, com o atabalhoamento e a falta de ponderação habituais, uma visão
materialista do ensino, centrada na urgência em formar artífices, quadros
especializados e outros, orientados para responder a um previsível aumento de ofertas
de emprego nas áreas tecnológicas e científicas. A necessária e atempada
previsão da evolução do mercado laboral deve certamente ser tida em conta mas um facto mantém-se: qualquer formação que
retire o prazer do contexto de aprendizagem, que diminua ou condicione a
criatividade e que não promova a imaginação, condenará os alunos a lugares de
servidão, de realização acrítica e passiva, com os inevitáveis e indesejáveis reflexos económicos, entre outros.
Não é inocente a
apologia de um retorno a uma certa aurea
mediocritas que ecoa no escrevinhar e contar de travo salazarento,
subscritos pelo actual ministro Crato. Ela corresponde a uma dramática falta de
visão holística, ignorando a realidade caucionada pela história e que faz corresponder a riqueza das nações à pujança das democracias, à eficácia da justiça e ao investimento na criatividade.
E assim chegamos à oferta artística nas nossas escolas. Se a disciplina de Desenho figura como exemplo raro e feliz para a área das Artes Visuais no secundário, já a possibilidade de optar entre História da Cultura e das Artes (título pomposo que não mascara o ridículo das pretensões que a carga horária diminuta sublinha) e, por exemplo, Matemática, ou a diminuição da carga horária das disciplinas específicas, como o já referido Desenho, figuram entre algumas das várias decisões infelizes das secretárias com uns senhores atrás delas.
É bom lembrar que a destruição da oferta escolar nesta matéria não é exclusivo deste governo nem de agora, acentuou-se no início do século e não tem poupado outros níveis de ensino.
É bom lembrar que a destruição da oferta escolar nesta matéria não é exclusivo deste governo nem de agora, acentuou-se no início do século e não tem poupado outros níveis de ensino.
1 STEM é o acrónimo de Science,
Technology, Engineering e Mathematics.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
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Eduardo Salavisa tem sido o grande divulgador da prática multicentenária dos diários gráficos de viagem
|
O ano de 2013 começa bem pelos lados de Braga. No dia 5
deste mês, no mosteiro de Tibães, terá lugar um workshop subordinado ao tema “Desenhar
no Diário de Viagem”, dinamizado por Eduardo Salavisa. Apesar da crise – a inscrição
custa 30 € -, será certamente uma boa oportunidade para a prática salutar deste
desporto gráfico com imensas virtudes. Para mais informações: aqui.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Deseducação Visual
Um dos propósitos que anima a edição deste blogue são os temas e assuntos referentes ao desenho. Não podemos, no âmbito do seu ensino, ou considerando os estádios de aprendizagem que antecipam a sua aprendizagem escolar - o 3º ciclo -, ignorar o assalto despudorado da tutela ao ensino das artes visuais. Apesar do acréscimo de tempos lectivos para o 3º ciclo, assistimos quer ao acesso à sua leccionação por parte de docentes (des)qualificados mediante a frequência de acções de formação - com o silêncio ignominioso e cúmplice dos sindicatos -, quer à publicação de metas que configuram aprendizagens formatadas, alheadas do nível de desenvolvimento cognitivo e afectivo dos seus destinatários e torpedeando o exercício da criatividade e da expressão individual: uma coisa incómoda e perigosa nos tempos que correm! É com algum ânimo que recebemos o documento cuja ligação partilhamos, apelando a sua divulgação, aqui!
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Encontros da Imagem 2012
- Os Encontros da Imagem estão aí, para a devida, e certamente merecida, degustação visual. Reproduz-se parcialmente a introdução e sugere-se visita. O Programa está aqui."A adolescência e a juventude são momentos da vida do ser humano de grande complexidade. É uma idade imprecisa, com características ambíguas consoante as épocas, culturas e países. Do ponto de vista etário, é um período compreendido entre os 12 e os 18 anos. Contudo, nas sociedades ocidentais pode-se alargar até aos trinta, em virtude da separação das famílias, independência económica, entre outros factores.Para além das acentuadas transformações físicas verificam-se profundas alterações de ordem psicológica. A complexidade deste período envolve inúmeras situações. Algumas mais comuns são o desejo de afirmação, liberdade, arrogância. Mas por vezes desaguam também em patologias depressivas ou situações de anorexia e bulimia. Nalgumas sociedades, a mão-de-obra juvenil é também utilizada, como mão-de-obra barata, ou canalizada para a marginalidade: tráfico de estupefacientes e prostituição.Ao longo da história da fotografia as imagens da juventude têm sido um tema bastante explorado. Como tal, julgamos que neste novo dealbar do século XXI, em que as novas tecnologias e as redes sociais vieram introduzir profundas mudanças comportamentais, que o tema da JUVENTUDE seja abordado e reflectido desde novas perspetival e formas de representação. Celebrando a cidade de Braga a CAPITAL EUROPEIA DA JUVENTUDE esta temática torna-se naturalmente adequada. Em virtude desta celebração, Braga será visitada por milhares de jovens que acorrem aos fóruns e outras actividades a desenvolver ao longo do ano, tornando um epicentro preferencial para a temática eleita pelos Encontros da Imagem.Para além do vasto leque de exposições, onde se procurará incluir todos os países da comunidade europeia, encontram-se agendadas um conjunto de actividades (conferências, debates, projecções, oficinas) direccionadas para o mundo juvenil, a fim de não só os levar a melhor compreender o seu status quo, como também a propiciar momentos de lazer e ferramentas de descodificação das artes visuais actuais."
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Encontra-se difundida pela rede a lista intitulada
Some Rules for Students and Teachers,
realizada pela artista e
educadora Sister Corita Kent (*)entre 1967-68. John Cage adoptou-a, enriqueceu-a e divulgou-a amplamente.
Relembra-se a dita, sempre actual e recomendável, em vésperas
de mais um ano lectivo.
Amén
segunda-feira, 16 de julho de 2012
A segunda fase do exame de Desenho A decalcou a primeira, inclusive no terceiro grupo, propondo uma ilustração, desta feita de uma passagem do Memorial de Convento, de José Saramago. Também repetiu a fórmula do "estímulo visual", relativamente à qual se aplicam os comentários redigidos aquando da 1ª dose de exames. Repete-se a questão: por que razão se brindam os alunos com um "estímulo visual"? Será que a formação de Artes Visuais é assim tão anoréctica? Infelizmente sim, espoliada que tem sido de horas e de disciplinas essenciais...
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O Mostrengo da Avaliação
Classificadas e entregues as provas de exame de Desenho A, espera-se a sua
afixação e o devido balanço estatístico.
Da prova:
Um modelo frágil e insípido de cartolina composto
por três elementos, oferecendo múltiplas possibilidades de montagem. Com que
propósito ou vantagem para os alunos? Desconhece-se. Para além do óbvio
acréscimo de trabalho e do desgaste para os classificadores, nada mais se
consegue retirar desta novidade.
A eliminação de uma das habituais quatro
questões foi bem recebida; peca por tardia e denota uma dificuldade preocupante
do GAVE em proceder aos necessários balanços (Vide relatório dos exames de 2010-2011: uma pobreza confrangedora em estatistiquez, aqui).
No Grupo II, era pedida a ilustração de uma
parcela da “Mensagem”, de Fernando Pessoa, até aqui tudo bem mas, eis que o
autor(a) da prova oferece, num arroubo de generosidade, “um estímulo visual
para a criação de uma nova representação da figura d’O Mostrengo”: uma escultura
de José de Guimarães! Não fosse o estrago que o estímulo produziu em muitas cabeças
frágeis – porque depauperadas, entre outras, da necessária formação artística –
o caso seria para rir. Já agora, por que razão se limitaram a este estímulo? E,
principalmente, por que razão é necessário um “estímulo visual”?
A intendência continua a ter dificuldades em
acertar com o papel, equilibrando textura com gramagem e adequando-o ao teor da
prova e aos meios implicados.
Dos descritores:
Os
descritores são omissos em diversos aspectos. Por exemplo: dadas as instruções,
não especificam penalizações para aqueles que procederam a montagens erradas
(num conjunto de 42 provas, ocorreram cerca de 25% de casos de yoga com o
modelo). Outros são abstrusos como, por exemplo, o descritor c) da
questão 1 do Grupo I, ou o descritor e) do Grupo II. Outros revelaram-se
inúteis como é o caso do descritor a) (Grupo I, questão 1.) que, incidindo na
qualidade do traço, foi inutilizado nas situações em que o aluno optou por
preencher o espaço negativo com um valor tonal escuro, ocultando assim os contornos.
Por fim, o descritor b) do Grupo II é uma pérola reverberante da pedagogia mais
recente: “trabalha as formas a partir do estímulo visual apresentado”. Pretende-se
que o aluno mimetize? Ou, à guisa de um academismo pós-moderno, faça uma coisa
com laivos de contemporaneidade?
Nota final:
Os últimos anos têm denunciado uma pobreza crescente
das respostas implicando o exercício da criatividade. Não será estranho o facto de terem sido retiradas horas no 3º ciclo a E.V. (e que esta reforma corrige muito timidamente), eliminadas disciplinas fundamentais no secundário (e.g. Teoria do Design) ou amputadas outras, como História das Artes. Com a redução de horários imposta pela ditadura do economês, não se auguram melhorias neste campo.
A apresentação de um portefólio é a modalidade
que assegura maior equidade e
que permite averiguar as reais capacidades dos alunos. Insistir no actual
modelo de exames de Desenho é um erro que urge corrigir.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A Comissão Organizadora tem como princípios orientadores:
A divulgação do Desenho português, dos autores portugueses e o do trabalho desenvolvido por agentes culturais;Feita a apresentação, convida-se os leitores a saberem mais aqui.
Procurar a mobilização de diversos actores, agentes culturais, para uma actuação comum, coerente e sólida em torno de eventos de Desenho;
Divulgar o muito que já existe, o know-how acumulado, não vamos “inventar o ovo de Colombo”, antes amplificar o que está projectado e pensado para o desenvolvimento do Desenho como disciplina artística, como expressão técnica, histórica e também agente económico;
Incentivar a articulação entre os diversos agentes culturais nacionais e as suas actividades para que possam co-existir e actuar em conjunto, fortalecendo a comunicação do Desenho;
Divulgar Desenho com a força de uma comunicação em conjunto. Para que as acções dos agentes culturais sejam mediaticamente visíveis para o grande público.
domingo, 3 de junho de 2012
O
primeiro número dos Cadernos de Tipografia surgiu em Março de 2007. Desde então
foram publicados e disponibilizados gratuitamente na rede, em
formato pdf, 23 números. Rebaptizada Cadernos de Tipografia e Design em 2008 (N.º11), esta
publicação é um dos raros casos de partilha de conteúdos de alta qualidade em
língua portuguesa, seja pelo rigor, cuidado na sua apresentação ou clareza da
linguagem utilizada.
Assumindo
o visionamento no ecrã, os Cadernos de Tipografia e Design foram
redesenhados, permitindo melhor leitura dos seus conteúdos. Curiosamente, o
tema deste último número é o papel e está disponível aqui (N.º 23, Maio de
2012).
Parabéns
e muito obrigado ao seu editor, Paulo Heitlinger, pela partilha generosa.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Os trabalhos expostos são produto de uma estratégia de ensino ancorada na prática intensiva que, partindo dos elementos fundamentais da sintaxe visual, propõe diversas abordagens experimentais no domínio das representações analíticas e abstractas. Representam o corolário de um processo que envolveu activamente os alunos enquanto actores centrais do processo de aprendizagem, que se pretende autónomo, critico e criativo.
A exposição estará patente até dia 10 de Junho.
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